"Truth is rarely pure, and never simple" - Oscar Wilde / "Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada" - Clarice Lispector

Tuesday, February 12, 2008

Vida menor

Não raro me convencem de que este ou aquele comportamento é mais eficiente, garante resultados favoráveis mais abundantes e eu concordo e admito, tens razão. A dinâmica entre as pessoas é por vezes simples e a reação A sempre segue aquela atitude tão B. Mas então é possível manipular? Sem dúvida. É possível conseguir o que se quer desta maneira assim tão científica? Não sei. O universo é por demais complexo. E a pergunta está errada. O que é que se quer? Eu quero isto, estar tão próxima de mim que beire a loucura tamanha a irresponsabilidade em ser o que sou, tão escandalosamente. E com isso perco coisas, perco tudo se for preciso, quem é que pode dizer com qualquer certeza aquilo que se tem ou deixa de ter. Tenho a mim e sou orgulhosa dessa configuração que parte se deu e parte construí ao longo dos anos. Tenho doçuras improváveis e medos e medos. Ao me colocar para fora então, nossa, como me perco. Mas principalmente me penso, e sinto tudo tão intensamente, e tenho fé. Costumo achar bonito ser assim, me convenci disso, são as minhas escolhas que refletem valores muito meus, muito íntimos. Não importa que a minha disponibilidade e fluidez afastem alguém, provoquem desinteresse, ou melhor, importa sim, sempre, mas se há destino o destino é este, a reação como resposta. Nada de experimentos, nada de comportamentos estudados, sou esta, para o bem e para o mal, e o que for que tenha que me acontecer que seja por eu ser tão insuportavelmente eu. O eu eterno mutante que não forja nem se esconde, que não se rende sob hipótese alguma. O eu mártir que se tiver a grande sorte de provocar amor vai poder de fato experimentá-lo como água do mar que bate na pele. Não me interessa nada do que possa ser conquistado de outras maneiras, eu renuncio, opto por esta vida menor dentro das minhas próprias arestas.